sexta-feira, 3 de junho de 2011

POETA LUIZ CAMPOS, O SEU NOME, É A SEMPRE PERSISTÊNCIA NAS LUTAS PELA PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA, CONTRA O ESQUECIMENTO.

Luiz Campos

Como disse Arievaldo Viana, poeta popular, criador do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, o trovadorismo popular é uma frondosa árvore de muitos ramos, cujas raízes estão infiltradas no coração do povo. A cantoria, a literatura de cordel, a poesia matuta, a embolada, a canção, a glosa, o repente, a “incelença”, as cantigas de eito, o aboio do vaqueiro, o coco de improviso são galhos distintos que brotam desse tronco milenar. Luiz Campos, um dos maiores nomes da poesia potiguar, transita com facilidade em vários desses ramos. Na cantoria, é o repentista ágil e espirituoso que já semeou verdadeiras pérolas, para deleite das platéias e admiração dos folcloristas, pesquisadores e apologistas da arte do improviso. Também glosa com desenvoltura, com ou sem viola, qualquer tema que lhe for apresentado. Produz canções de alto nível poético e melódico e tem dezenas de folhetos de cordel já publicados. Mas é o poeta matuto, autor de “Me enganei com minha noiva” e “Carta a Papai Noel” que mais se destaca, conquistando a simpatia do público e dos maiores declamadores da atualidade. Amazan, Chico Pedrosa, Daudeth Bandeira, Jessier Quirino, Dedé Monteiro, Moreira de Acopiara – só para citar alguns – todos admiram e fazem reverências ao velho mestre de Mossoró.
Humorista de verve apurada, crítico social e filósofo por intuição. Seus poemas contém gracejo e irreverência, mas não esquecem de uma forte dose dramática e, na maioria das vezes, tornam-se uma sátira impiedosa aos costumes de hoje. Como Charles Chaplin, Luiz Campos conhece bem a receita e sabe misturar, na dose certa, o riso e o pranto. É isso que o torna um mestre no ofício de poetar, um nome que, seguramente, já figura no mesmo panteão de Catulo da Paixão Cearense, Zé da Luz e Patativa do Assaré. 
Em cordel criado para homenagear Luiz Campos, os poetas  Abaeté do Cordel, Boquinha de Mel, Rosa Regis, M.C. Garcia, José Lucas de Barros, Marcos Medeiros, Maiquel Rocha e Hegos criaram lindos versos, a exemplo do que segue:

LUIZ CAMPOS

Repentista cantador
Tem da viola o domínio
Pela rima tem fascínio
No poetar é doutor
Mostrando que tem amor
Ao verso metrificado
Que, com carinho e cuidado,
Faz, mostrando que domina
O versejar pela crina
Qual um alazão domado.

Mossoroense da gema
Onde nasceu e criou-se
Desde menino ele trouxe
A paixão pelo cordel,
Luiz Campos, menestrel
Da cultura popular,
Aqui venho lhe deixar,
Com apreço, uma homenagem
Nessa pequena abordagem
Com meu parco poetar.

(Autora: Rosa Régis)

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