segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SHAKESPEARE EM VEZ DE GUERRAS

Foto de Rafael Telles

"Notícia boa, é notícia ruim". Essa máxima do jornalismo sensacionalista foi explorada à exaustão quando o conflito entre polícia e bandidos no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, explodiu na televisão em novembro do ano passado. O lugar é um conglomerado de favelas, reúne cerca de 200 mil pessoas na zona Norte da Cidade Maravilhosa, e pode ser encarado como uma panela de pressão prestes a explodir, mas a ocupação deste fim de semana foi artística e protagonizada pelo grupo de teatro potiguar Clowns de Shakespeare. A trupe subiu, literalmente, o morro para apresentar o premiado espetáculo "Sua Incelença, Ricardo III" sábado e domingo últimos.
O movimento, que reuniu cerca de 15 grupos de várias partes do Brasil e do mundo e atraiu um público eclético formado não só por moradores da comunidade, é parte da série de atividades inserida na segunda fase do projeto "Tempo Festival de Artes". Iniciado em 2010, o primeiro tempo do festival foi marcado por debates, ideias, palestras, pesquisas e estudos sobre conceitos que permeiam as várias vertentes do fazer teatral; o segundo foi dominado por ocupações artísticas, oficinas e apresentações de espetáculos. Dentro da programação, os potiguares ainda ministraram oficina, entre os dias 13 e 15 de setembro para 20 pessoas que servirão como agentes "multiplicadores" dentro da comunidade do Alemão.
"Nunca imaginei que fosse ver algo tão bonito nesse local", declarou Nívea Carvalho, 35, moradora de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, à reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo desse sábado, que destacava a apresentação dos Clowns de Shakespeare. "Foram quatro meses de pesquisa e contato com os moradores. O Alemão é imenso. Há a ocupação pelo Exército, a situação de sítio. A harmonia só pode chegar por meio da cultura e do lazer", disse um dos diretores do festival, César Augusto.

Yuno Silva – Repórter
Jornal Tribuna do Norte


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