sábado, 19 de maio de 2012

MOMENTO DO POETA POTIGUAR


ANTONIO RODRIGUES JR.

MUSA

Essa distância que embora o corpo sinta, 
parece não mais que me encher de desejo
a mente que impaciente vislumbra um fio de flor,
para do nectar sorver o mais absoluto mel,
resoluto sabor que Eros menino utiliza 
ao veneno de suas inomináveis flechas.

Não queiram os deuses me falar do destino!
Não queiram os deuses imacular suas imortalidades!

Pois é a mortalidade mote da inveja divina,
é, pois, que o instante que se passa,
a eteriedade, a efemeridade,a possibilidade 
do não acontecer, faz com os mortais
que somos causa de nossa virtude mais especial
a necessidade do imediato, a velocidade das coisas.
A velocidade do acontecer.
Assim devemos supervalorizar cada momento.
À cada dia cada vez mais meus pensamentos 
se inclinam para ti - musa.
Você reside em cada pensamento.
Eis a forma mais humana de tornar-te mais humana.

É a forma com qual tua presença invade
o âmago da minha criatividade exasperada
por buscar-te em palavras e pensamentos inexatos.
À exatidão convém ao viver na verdade à olhos nús
e meu maior desejo é a tua nudez, a nudez de tuas pernas 
entreabertas, assim como meu coração que entreabre
as portas ao mais profundo caminhar das coisas humanas.

Desejo-te como nunca desejei ninguém
porque transformasse o instante em paradoxo
eternidade e efemeridade disputam uma batalha intensa
na imensidade de cada ponto espectral das partículas de vida.

Minha mente, meus nervos anseiam pelo toque
do teu toque, meu corpo vibra com a possibilidade
de deslizar por sobre tua pele nua, suada, molhada
à exauri-lhe as forças. 
Esvaecidas as forças, quero descansar junto à ti.
Ó musa - humana-mulher teíficada por um louco.

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